Capa de Jornal “Gazeta de Viseu”, de 2 de Janeiro de 1959

AUTOR: Carlos Salvador
DATA: 2021
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2021.011
N.º DE CATÁLOGO: #038

Memória Descritiva

O realizador francês Jean Vigo viveu entre 1905 e 1934.
O filme “Zero Em Comportamento” foi realizado por ele e estreou em 1933.
Além de ser considerado uma obra prima do cinema francês, ele é também um dos maiores filmes ficcionais libertários do século XX.
O enredo remete às experiências escolares de um grupo de crianças francesas, baseadas nas memórias de Vigo sobre sua própria infância e o título do filme refere-se literalmente ao tipo de linguagem usada na avaliação do comportamento dos alunos.
O realizador Juan Cero nunca existiu.
Juan remete para Jean e Cero significa ‘zero’ em espanhol.
O título do filme fictício “Conducta Desvergonzada” pretende mimetizar o título “Zero em Comportamento” e a sua breve sinopse assume referências particulares.
Francisco Trofa não existiu. François Truffaut sim.
É dele o filme “Os Quatrocentos Golpes”, estreado em 1959, que se tornou um sucesso mundial e que inaugurou o movimento “Nouvelle Vague”.
Apenas em jeito de curiosidade, o título original não deveria ter sido traduzido de forma literal.
O título em francês refere-se à expressão “faire les quatre cents coups”, que significa “levantar o inferno”.
O uso deste filme, desta referência e do número 400 têm também um significado particular.
O filme foi, em parte, inspirado em “Zero Em Comportamento”, de Jean Vigo, nomeadamente em várias cenas. Uma delas, a mais famosa, é a de um grupo de crianças que corre pela cidade de Paris e se vão perdendo, uma a uma, para as várias atracções da cidade.
O cineclube “Círculo Cinéfilo” nunca existiu em Viseu.
Nesse caso, teria coexistido com o Cine Clube de Viseu, cuja actividade começou em 1955.
A paixão pelo cinema fez com que, em 1947, Truffaut fundasse um cineclube: “Cercle Cinémane”. Aquela era uma época de enorme efervescência cultural e os cineclubes eram o local de excelência para se assistir às projeções dos filmes e discuti-los depois.
No entanto, o “Cercle” encerrou, entre diversos motivos pelo facto de enfrentar a difícil concorrência do cineclube “Travail et Culture”, dinamizado pelo escritor e crítico de cinema André Bazin, o qual se veio a tornar uma espécie de tutor para o jovem Truffaut.
Finalmente, na Rua do Carmo, número 81, existiu de facto uma loja e oficina de motores de rega e outras alfaias, que entretanto fechou, mudando de instalações para outro local da cidade. Depois de alguns anos com o espaço encerrado e tapado com painéis, nasce ali o projecto Carmo’81, pelas mãos da Acrítica Cooperativa Cultural, com actividade rica e diversa na área cultural, incluindo a exibição de cinema.

Esta peça foi criada para o Museu do Falso e teve como Parceiro Institucional

A Falsidade Explicitada

Em 2009 é descoberta a Ara, um altar de pedra com cerca de 2 mil anos, que se refere “às deusas e deuses vissaieigenses”. Quem seriam estes deuses e qual seria a sua possível representação? Para entender melhor as divindades ancestrais, recorreu-se aos escritos de Leite de Vasconcelos, um arqueólogo e etnógrafo nascido em Tarouca, que descreve os deuses lusitanos, na era proto-histórica. Diz Vasconcelos em Religiões da Lusitânia, que “o naturalismo e o animismo primitivos” orientaram os cultos, sendo a Natureza a fonte mais fecunda das crenças do povo. A costa marítima e os rios eram adorados, havendo deuses primários e secundários, ninfas, lares, etc. Existiam sacrifícios humanos, e leitura de estrelas para adivinhação. A natureza, a fertilidade e o conflito eram os temas principais. Quando o Cristianismo sucede ao paganismo, este sobrevive “nos simpáticos deuses tópicos, tão queridos do povo simples, que se transformaram em santos patronos”. A partir destas e outras descrições dos cultos pagãos na Península Ibérica, foram representados 3 deuses desconhecidos (sem nome) com uma simbologia específica, o octógono (referência à Cava de Viriato) que pertence a dois deuses siameses, uma espécie de ying e yang das relações humanas, o círculo, acompanhado da deusa que representa a fertilidade e os ciclos naturais da vida, e finalmente o quadrado, associado ao deus/deusa da guerra e da defesa. Estes deuses são entidades abstratas, que, em unidade, representam uma existência terrena e mística, fazendo parte de um culto pagão inventado, em que o centro da adoração é a Natureza, de onde o Homem nunca se afasta nem desassocia. A oração que os acompanha, sugere que as preces desta época seriam por boas condições climatéricas e de trabalho, sorte, sabedoria, paz e felicidade. Necessidades básicas, humanas e intemporais.

Sobre Rosário Pinheiro

Viseu 1988, Designer Ilustradora e Cozinheira.
Cresceu 4 cm aos 23 anos.
www.behance.net/rosariopinheiro
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