A Corneta de Rei Ramiro II

AUTOR: Ruben Filipe Marques
TIPOLOGIA: Artefacto
DATA: 2012
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2012.025

Memória Descritiva

Construir uma falsidade não é, afinal, assim tão simples quanto parece. O primeiro passo foi elaborar uma notícia fictícia, usando como inspiração alguns artigos de jornal sobre temas de arqueologia. Esqueci-me apenas de um pormenor: desde quando é que os jornalistas portugueses se dão ao trabalho de escrever coisas sobre História? Foi, evidentemente, um erro de principiante… Superada a primeira etapa, foi necessário comprar barro de modelar para construir a “réplica” da corneta cerimonial. Feita em contornos grosseiros, foi depois colocada em fogo, no meio de terra, dentro de água e suja com tintas… tudo o que pudesse simular uma maior antiguidade. Restava apenas tirar uma fotografia, no meio do quintal, para completar o cabeçalho da notícia. A última parte do processo consistiu em encontrar um verdadeiro papiro medieval (cuja imagem foi retirada desta página), o qual foi digitalmente alterado para servir de arrolamento de bens do nosso Rei D. Ramiro II.

A Falsidade Explicitada 

Como acontece com tantas outras personagens da nossa História, a vida do Rei Ramiro II continua envolvida numa penumbra de mistério, na qual se misturam deliciosamente os factos e as lendas, a verdade e a imaginação.

Mais do que ninguém, os viseenses deveriam ser curiosos e fomentar o seu estudo, não fosse o brasão da nossa cidade apresentá-lo em grande destaque, segurando a mesma corneta com que (diz-nos a lenda) chamou as suas tropas e cercou o rei mouro, conquistando o castelo de Alboazar.

Mas não é tudo: dois séculos antes de D. Afonso Henriques ter batido com a porta de Leão e Castela, declarando a nossa independência, já o nosso Ramiro II se havia intitulado (ainda que por um breve período de tempo) rei da terra portucalense. Fascinante, não? Pena que sejam poucos (muito poucos) os que ainda se lembrem disso.

Mais do que outro objectivo qualquer, esta pequena falsidade serviu de pretexto para eu aprender um pouco mais de História e, quem sabe, contagiar outros a fazer o mesmo. Não, ainda ninguém descobriu a corneta, mas a verdade é que qualquer um de nós pode descobrir a beleza da princesa Zahara, a vingança do comandante Alboazar, a cólera da esposa traída… e a esperteza de um rei salvo pelo som de uma trombeta.

Sobre Ruben Filipe Marques

Ruben nasceu em Fevereiro de 1983, em Viseu.
Licenciado em História pela Universidade Católica Portuguesa (pólo de Viseu) com distinção, está actualmente a trabalhar na área.
Artisticamente, já elaborou uma exposição de fotografia intitulada “Play with Flowers”. Participou no 1º Vis’Arte – Festival de Artes Circenses e Animação de Rua, organizado pelo GICAV e deu apoio técnico, na peça de teatro “Perpetuus” (apresentada no auditório do IPJ Viseu em Junho de 2005) e na amostra de dança “Masks” (Abril de 2006).
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