Lata da Roseta

AUTOR: António Gil
TÉCNICA: Ready-made
DATA: 2012
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2012.016

Memória Descritiva

Esta peça compõe-se por dois elementos: Um tambor metálico retirado de uma máquina de lavar. Um «ready-made», portanto… o objectivo desta escolha estará justificado adiante; e um artigo de jornal também falsificado, que «explicará» a relação entre o objecto e a Cava de Viriato.

Tratando-se o presente desafio (Museu do Falso), propus-me desde o início tornar evidente a «fraude» associando um local mítico da cidade (Cava de Viriato) a um objecto notoriamente «alienígena» a toda a discussão académica sobre a origem da Cava (que no limite se confunde com a origem de Viseu).

Com uma forte componente irónica, este «ready-made» é arbitrariamente associado a um local da cidade, para ironizar as relações fortuitas e pouco científicas que alguns «curiosos» das ciências humanas estabelecem entre o mito e o facto historicamente comprovado. O autor portanto, opta aqui por mostrar o« gato todo», em lugar de lhe deixar apenas a cauda de fora!

O facto de se tratar de uma peça de aparelho que servia para lavar roupa suja, também terá as suas implicações mas isso já é outra história!…

Falta referir que o tambor metálico terá sido decerto fabricado em série, numa das linhas de fabrico/montagem da marca em causa… Já o «artigo de jornal» foi executado digitalmente e impresso não numa tipografia, mas numa impressora de vulgar computador…

A Falsidade Explicitada

Embora no texto de Catálogo se tente ligar a Cava de Viriato à exploração de um metal precioso, a sua origem é bem menos fantástica. Como escreve o Dr. Pedro Sobral no cromo “A Cava de Viriato”, da Viseupédia:

“Singular e monumental, a Cava de Viriato é uma das mais emblemáticas obras de engenharia da terra conservada na Península Ibérica.

Este magnífico monumento começou assim a ser denominado a partir do séc. XVI. Foi uma época em que havia uma necessidade desmedida de afirmação da identidade nacional que veio a ser consubstanciada anos mais tarde com a Restauração. Os heróis da Restauração foram comparados aos Lusitanos e ao seu mítico chefe é então atribuído o maior monumento de Portugal. Podemos afirmar com alguma certeza que este monumento deve corresponder a uma cidade-acampamento (qal´a) de época islâmica, seja da conquista do séc. VIII ou do período de Almansor. Entre os séculos VIII e XI, Viseu foi uma típica cidade de fronteira, ora disputada por cristãos, ora por muçulmanos.

O território entre Douro e Mondego foi domínio islâmico precário desde as conquistas de Musa e Abd al-Aziz em 714 e 715, até à segunda metade do séc. IX. Este domínio só se torna efectivo nos finais do séc. X com as campanhas militares de Almansor (o Vitorioso). (…)”

Toda a informação pode ser consultada na publicação nº01 da Viseupédia.

Sobre Teresa Cordeiro

Nasceu em Lisboa, há quase 50 anos e vive em Viseu.
Trabalha na Escola Secundária de Emídio Navarro.
Está a concluir a tese de doutoramento Inquisição e Cristãos-Novos na cidade de Viseu: repressão social, atraso económico e atavismos culturais (séculos XVI-XVII), no doutoramento Fundamentos de La Investigación Histórica, Universidade de Salamanca – Departamento de História Medieval, Moderna e Contemporânea, sob a orientação de D. José Carlos Rueda Fernández;
Habilitações Académicas
Diploma de Estudios Avanzados – Estudios de Doctorado (grau de Suficiencia Investigadora), pela Universidade de Salamanca- Departamento de História Moderna, Título Próprio da Universidade de Salamanca (art. 34.2 de L. O. U.), obtido em 2007;
Mestrado em História Ibero-Americana, pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique, Porto, sob a orientação do Professor Humberto Carlos Baquero Moreno, concluído em 2004;Pós Graduação em Museologia Social, pela Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões, sob a orientação do Professor Mário Moutinho, concluída em 1991;
Licenciatura em História, pela Faculdade de Letras de Lisboa- Universidade Clássica, concluída em 1986.
Traduções e Trabalhos Publicados
Cristãos-Novos de Viseu, a Inquisição e os Trânsitos Peninsulares de Seiscentos. Revista de Estudos Ibéricos Iberografias. Guarda. Centro de Estudos Ibéricos, n.º 7, Ano VII, Nov. 2011, p. 163-167.
Adonai nos Cárceres da Inquisição. Os Cristãos-Novos de Viseu Quinhentista. Viseu: Arqueohoje/Antropodomus, 2010.
Comunidades Cristãs- Novas em Contexto de Fronteira e o Reconhecimento da sua Diáspora como Factor Notável nos Trânsitos Culturais Peninsulares. Territórios e Culturas Ibéricas II. Guarda. Centro de Estudos Ibéricos. Colecção Iberografias, n.º 10, 2007, pp. 161-169.
Cristãos-Novos, a Raia e o êxodo para Castela – A Entrada da Inquisição em Viseu (1637). Guarda: Centro de Estudos Ibéricos, dissertação no âmbito do projecto Culturas Ibéricas, Sociedades de Fronteira: Territórios, Sociedades e Culturas em Tempos de Mudança, 2007.
Heresia e Inquisição na Cidade de Viseu (1595-1605). Revista Beira Alta. Assembleia Distrital. Viseu.
Vol. LXIV, Fascículos 1 e 2, ano 2005, 1º e 2º trimestres, p. 93-130.
XIII Encontro de Professores de História da Zona Centro (co-coord. José Sidónio M. Silva). Viseu: Deficop, 1995.
Instrumentos Europeus de Tortura e Pena Capital (da Idade Média ao Século XIX), Tradução port. e revisão científica do Catálogo da Exposição Internacional, apoiada pelas Nações Unidas e Amnistia Internacional, 1995.
Colaboração com diversos jornais, entre os quais A Capital, entre 1984 e 1986.
Poesia Inacabada, trabalho de ficção, edição conjunta, no âmbito do prémio literário da Escola Secundária do Feijó, colaboração da Associação Portuguesa de Escritores, representada no júri pelo poeta Fernando Grade, 1981.
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