Fragmento de pega [direita] do 1º Roboteiro construído em Angola
AUTOR: Dinis Primo
TIPOLOGIA: Fragmento, em madeira, de uma pega [direita] de Roboteiro [veículo], com etiqueta + fotografia do Cais de Alcântara (Lisboa), onde se observam caixotes e Roboteiro.
DATA: 1975 (ou anterior a)
Contextualização
(robot + -eiro)
nome masculino [Angola] Pessoa – também, por vezes e por extensão, o veículo – que transporta mercadorias ou materiais empurrando um veículo, geralmente de madeira, com apenas uma só roda.
Fragmento do 1º roboteiro (carro de mão) – pega direita – construido em Angola, abandonado com a carga do Sr. V. S. Silva (nome completo desconhecido), no Cais de Alcântara, desde Maio de 1975, altura em que este retornou de Angola para Portugal.
Este 1º roboteiro foi idealizado e construído propositadamente em Luanda por um carpinteiro angolano, para levar os caixotes de V. S. Silva da zona da Maianga onde este residia, até ao Porto de Luanda de onde saiu o navio, que o levou e à sua família, para Lisboa. Durante o carregamento do navio não houve tempo para descarregar a carga e retirar o roboteiro do porão, tendo este sido transportado para Lisboa e nunca sido reivindicado, ficando ao abandono, juntamente com a carga que continha.
Dinis Primo, neto do carpinteiro Primo e hoje em dia construtor de roboteiros em Luanda, conta que o seu avô começou a construir estes carros de mão naquela altura devido à necessidade de transportar carga pesada em Luanda na altura da saída dos portugueses de angola.
Este pequeno fragmento de uma das pegas serve de prova, de que os roboteiros começaram a ser desenvolvidos em Luanda antes da presença dos Russos no país, contrariando a história existente de que a palavra “roboteiro” é uma transformação da palavra russa “Rabota” (работа), que era entendida como “trabalha/trabalho” – de facto estando aplicada como uma ordem e uma associação de servidão quanto a quem era destinada a ordem, relativamente aos que a emitiam.
Este pedaço de roboteiro datado de 1975, comprova que já haveria carros de mão deste tipo anteriores à chegada dos Russos a Angola.
Esta incorporação, no acervo do Museu do Falso, teve Apoio