Retrato de Princesa do Huambo ou “A Mulher sem Nome”

AUTOR: Desconhecido
TIPOLOGIA: Fotografia (pintada sobre tela)
DATA: 1956 (anterior a)
N.º DE CATÁLOGO: #055
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2022.001
PROVENIÊNCIA: Babu / Hamilton Francisco

Contextualização

As informações infra foram retiradas do caderno de notas de Luísa F.:

Encontrada durante as obras de construção do 1º Metro de Lisboa, em 1956, 1 ano depois do começo da construção, na zona dos Restauradores, é a transposição para tela, de uma fotografia representando uma antiga princesa do Huambo, adquirida por João Antunes, um fotógrafo residente na rua do Poço dos Negros, em Lisboa, natural de Esmolfe.
Era um grande colecionador de fotos de mulheres, e esta foi adquirida a um antigo trabalhador do metropolitano de Lisboa.
Com o seu falecimento, todo o espólio, se desmembrou, e uma parte dele foi parar às mãos de sua filha Esmeralda Antunes que ainda vive em Esmolfe.
Numa viagem de trabalho a Esmolfe conheci D. Esmeralda, que me falou do seu pai, e mostrou-me a enorme coleção de fotos que herdou dele, fixei-me nesta, pelo olhar ausente da mulher, guardei-a comigo durante muito tempo, até que um dia, quando abri o caderno que guardo cuidadosamente desde esses tempos, nem queria acreditar, ainda guardava aquela foto comigo, porquê?
O meu imaginário atravessou as águas revoltosas do Atlântico, e consegui parar no meio destes dois pedaços de história, ainda por contar.
Tinha ali aquilo que parecia ser uma figura de mulher, de alguém com quem já me tinha cruzado na vida, quase que até conhecia a sua voz, será que estava a ficar louco?
Guardei a imagem, mas com o incômodo e curiosidade de saber o que seria aquilo, comecei a minha aventura, percorri todos os recantos da velha Lisboa, desde o Arquivo da Torre do Tombo, aos arquivos de algumas Ordens religiosas, no intuito de encontrar uma resposta.
Aquela que me lembro melhor, foi de um velho barbeiro em Alfama chamado Zé Geraldo, no diz que diz reza a história, que essa jovem era uma princesa abastada, que vivia em Nova Lisboa, na altura a grande metrópole portuguesa, onde vivia a grande elite, os grandes burgueses, homens de negócios uma verdadeira cidade cosmopolita, isto nos meados de 1800.
Essa jovem era dotada de uma beleza única, e de um talento ainda maior, falava-se que ela era descendente da grande guerreira Nzinga Mbande
Conseguia encantar todos os homens que se cruzavam no caminho, deitava-lhe um feitiço, que todos eles ficavam doentes e moribundos. Mas houve um que foi diferente, um viajante baixinho de pele muito branca, proveniente da colónia Portugal, tão distante, que ela quase nunca ouviu falar.
Enamorou-se de tal forma que quis conhecer a terra do seu amado, mas para isso tinha que atravessar o Atlântico, viajar de barco e o medo estava entranhado no seu inconsciente. Quando era criança, ouvia histórias macabras sobre as travessias dos barcos no Atlântico, mas o amor falou mais alto e a jovem fez-se ao mar com o seu amado.
Sabe-se que essa jovem, além de bela e guerreira, tinha pose de princesa, e adorava fumar cachimbo, tinha uma bela voz. Um amigo do barbeiro Zé Geraldo contou-me, que parece, esta mulher, cantou muito fado, acompanhada do seu amado à guitarra. Ninguém se lembra do seu nome, sabem apenas que tinha pele muito escura, olhos grandes e cabelo bem crespo, o seu amado era franzino, pálido e descendia de uma família abastada de Carregal do Sal. Parece que os dois deram grande animação nos bairros de Alfama a cantar o fado. Conta-me o Zé Geraldo, até se falou em fazer uma estátua, em sua homenagem, mas como ninguém se lembrava do seu nome, foi um projecto que caiu.
Consta que existe uma grande fadista de Lisboa, que é sua descendente, até na voz são parecidas, mas ainda não se apuraram os factos.

Esta incorporação, no acervo do Museu do Falso, teve Apoio

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