Mão do Ent Viseense

AUTOR: Desconhecido
TIPOLOGIA: Arqueologia
DATA: Séc. Desconhecido
N.º DE CATÁLOGO: #032
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2021.005
PROVENIÊNCIA: Ronald Reuel

Contextualização

J. R. R. Tolkien, o escritor britânico, autor do universo de “O Senhor dos Anéis”, é normalmente indicado como linguista que criou as suas obras inspirado na mitologia nórdica e anglo-saxónica, bem como nas narrativas medievais. Sendo verdade, na maior parte, é igualmente verdade que nem tudo na obra de Tolkien se pode remeter ao epíteto de “fantasia”.

A comprovar esta vertente está o presente artefacto: a Mão direita do Ent Viseense. Os Ents seriam seres arbóreos vivos, protetores da Natureza e das florestas em particular, que faziam o que fosse, de modo lento e ponderado (excepto aquando de a Última Carga dos Ents, como retratada na obra “As Duas Torres””).

Voltando à questão, Tolkien, de quando em quando, obrigava-se a viajar, para contactar com pessoas – ao invés de papéis no seu gabinete – e eventualmente inspirar-se para mais algum conto ou narrativa. Numa dessas viagens, acompanhou um grupo de excursionistas que refazia os passos de Wellington e das tropas britânicas em Portugal, por altura das Invasões Francesas. Assim veio até Viseu, onde calcorreou a Cava dita de Viriato, bem como o centro histórico. Aí teve contacto com a obra de Vasco Fernandes, o urbanismo pós-moderno da cidade e, próximo à actual Praça de D. Duarte, terá sido aliciado por um vendedor de antiguidades a entrar no seu estabelecimento.

Na loja e entre outras peças – como a Ferradura da pata traseira esquerda do pónei no qual Ibn Harrik (Afonso Henriques) tentou fugir para Marrocos, que Tolkien imediatamente considerou falsa – ficou cativado com a Mão do Ent Viseense, um povo antigo, habitante da Mata do Fontelo.

Ao adquirir a Mão, foi-lhe indicado que a proviniência original se garantia, quase, quase, como sendo da famosa “Wunderkammer da Maria Papoila”, ou seja, “A Câmara das Maravilhas da Maria Papoila”, uma estalajadeira do século XVI (na actual Rua Grão Vasco).

As Wunderkammer, ou Câmaras das Maravilhas, eram espaços pré-museais, da Idade Moderna, pertencentes a pessoas abastadas, que recolhiam e conservavam elementos atípicos ou invulgares, items de História natural, bem como pintura, escultura, antiguidades, etc.. Maria Papoila, aceitaria ocasionalmente pagamento em géneros pelos seus serviços de estalajadeira e, assim, foi constituindo a sua coleção – que se diz ter ombreado com as mais relevantes da Europa. Das “Maravilhas” de Maria Papoila, não se conhece qualquer outro exemplar sobrevivente.

Esta Mão viajou assim para Inglaterra e, passadas décadas, de volta a Viseu onde foi agora incorporada no acervo do Museu do Falso. É claro que o Ent – do povo viseense – foi decalcado para a elaboração dos Ents, personagens do mundo fantasioso (mas real, em parte) de Tolkien.

Esta incorporação, no acervo do Museu do Falso, teve como Parceiro Institucional

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