Ferradura da pata traseira direita do pónei no qual Ibn Harrik (Afonso Henriques) tentou fugir para Marrocos

AUTOR: Desconhecido
TIPOLOGIA: Artefacto Arqueológico
DATA: 1169/1170
N.º DE CATÁLOGO: #029
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2021.002
PROVENIÊNCIA: B.McXug

Contextualização

Após a derrota na batalha de Badajoz, em 1169, que teve como consequência o fim da expansão do nascente Portugal para Leste, Afonso Henriques sofreu um traumatismo, caiu do seu cavalo e foi capturado por Fernando II de Leão (familiar que apesar de tudo pediu com jeitinho as praças “espanholas” entretanto na posse dos portugueses e a promessa de vassalagem futura). O que se encaminhava para ser uma expansão de Afonso e o seu amigo Geraldo “O Sem Pavor” (conquistador de Évora, entre outras façanhas militares), terminou com um Rei a prometer submeter-se ao primo e Geraldo a encaminhar-se para Marrocos, onde ficaria ao serviço dos Senhores que melhor lhe pagassem.

Afonso Henriques terá prometido a Fernando II que, assim que pudesse montar novamente a cavalo, iria prestar a devida homenagem e, então sim, afirmar e confirmar a vassalagem que lhe exigiam.

Em sequência e estando Afonso Henriques, conhecido entre os muçulmanos por Ibn Harrik, o “cão galego”, ou o “maldito de Alá” – entre outros mimos – a estanciar nas termas de São Pedro do Sul, para ultrapassar as mazelas, recebe continuadas mensagens de Geraldo, provindas de Marrocos, a incentivar a que Afonso se juntasse a ele, em termos que prometiam saque, glória e talvez umas tagines de frango ou carne de caça da melhor.

Conta-se que nunca mais foi visto Afonso Henriques a montar a cavalo e que terá sido transportado até ao final da sua vida por “liteira de homens”.

Não se deixou inicialmente convencer pelos apelos de Geraldo, mas farto das termas e da hidroginástica, foi de S. Pedro do Sul até Viseu, para matar saudades dos locais em que conversara com o seu amigo, confessor e conselheiro Teotónio (posteriormente S. Teotónio, o primeiro Santo português; e em vida o Prior da Sé de Viseu), num repente de mágua pelo passado, rouba Afonso um pónei – era astuto o Rei e a promessa era de não montar a cavalo! – e encaminha-se, pelos lados da Cava, orientado ao Caramulo, pensando depois dirigir-se a África para se juntar a Geraldo.

Ali para os lados de Vil-de-Moinhos, ao cruzar o Pavia, o pónei sucumbiu ao peso e tropeçou, abatendo Afonso com os costados na água, destruindo uma represa e fazendo com o pónei perdesse uma ferradura (após o que fugiu, o pobre animal, entre pragas). 

Os populares – que passavam sem água à custa da represa e voltaram a tê-la – dirigiram-se ao local do acidente em alegre festa dando graças a S. João Batista. Reconheceram o Rei e perguntaram-lhe o que se passava e para onde ia ele. Terá respondido o Rei que estava a caminho de Marrocos, para visitar a sua tia, mas não Marrocos África, antes o lugar de Marrocos, em Molelos (ao lado de Tondela) e a poucos quilómetros de distância [afinal havia quem dissesse que tinha por ali familiares, na zona de Viseu].

Com este acontecimento, não só se criou o hábito de agradecer, em montaria, a S. João, no que são hoje as Cavalhadas de Vil-de-Moinhos, como se deu origem à música popular infantil “Fui visitar a minha Tia a Marrocos…”, de que há versão muito particular, no referido lugar e envolvente de Molelos.

Quanto a Geraldo, teve uma carta confiscada por aqueles para quem trabalhava e viu a sua vida abreviada. Afonso que montou um pónei, nunca chegou a ir prestar vassalagem a Fernando II e com trovões e coriscos regressou a pé ao morro da Sé, tendo deitado a ferradura do pónei a um poço que encontrou no caminho – e que agora se inclui no logradouro do n.º81 da Rua do Carmo, em Viseu.

Esta incorporação, no acervo do Museu do Falso, teve como Parceiro Institucional

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