O Pincel Mágico de Grão Vasco

AUTOR: Vasco Fernandes (c. 1475–1542, Viseu (?), Portugal)
TIPOLOGIA: Alfaia Artística
DATA: c. 1501–1542
LOCAL DE REGISTO: Viseu
N.º DE CATÁLOGO: #028
N.º DE INVENTÁRIO: MF.2021.001
PROVENIÊNCIA: Steven Barich

The Magic Brush of Grão Vasco

AUTHOR: Vasco Fernandes (c. 1475–1542, Viseu (?), Portugal)
Typology: Artistic Tool
DATE: c. 1501–1542
REGISTRATION SITE: Viseu
CATALOGUE NO.: #028
INVENTORY NO.: MF.2021.001
PROVENANCE: Steven Barich

Contextualização

O Museu do Falso tem o prazer de apresentar um artefacto recentemente descoberto de grande importância artística e histórica: um instrumento pristinamente preservado atribuído ao mestre pintor renascentista Vasco Fernandes, reconhecido em tempos mais recentes como Grão Vasco (o Grande Vasco).

Para surpresa e entusiasmo dos historiadores de arte e curadores, tanto pela mera existência bem como no seu estado de conservação, excepcionalmente bem preservada, que deixou estupefactos os conservadores-restauradores, é com absoluta certeza que séculos de dúvida, especulação, rumor e debate em torno da linhagem, treino e proficiência do pintor Vasco Fernandes – uma estranheza entre os seus pares – foram agora respondidos: magia.

A transição para o século XVI, foi uma época de místicos, uma época de renascimento crescente da cultura e da religião, tirando a Europa ocidental da “idade das trevas” dos séculos anteriores. Que feitiçaria, como pintor, era empunhada na mão, que alquimia da observação e da ilusão se fazia através deste anacronismo, deste pincel de pintor?

Rumores e mitos deste feiticeiro como pintor que foram registados pelos historiadores – fantasiosos e absurdos, mas verdadeiros, quando escolhemos acreditar – a supracitada afirmação: a habilidade incomum e crua da juventude não treinada de Vasco Fernandes, de tal forma que quando, em criança, pintou um burro na porta do moinho do seu pai, e mais tarde, quando o pai o viu, ficou encantado e não quis entrar: o realismo ilusório da imagem dominou os seus sentidos (1). Ou, a história de uma suposta bisneta que Vasco Fernandes iria buscar o óleo ao túmulo de Bispo Santo para misturar as suas tintas, para criar outra “janela” convincente num mundo de significado simbólico dentro de um contexto religioso (2). Finalmente, o magnetismo evidente em cada pintura produzida pela onda cosmopolita do pincel de Grão Vasco – um mestre pintor que parece não ter tido nenhum professor, mestre ou guilda regional, e com tais habilidades que eram raras e plenamente desenvolvidas na sua primeira obra de arte conhecida produzida em Viseu (3).

Com alguma relutância, e embora algumas carreiras construídas sobre anteriores interpretações da lenda de Vasco Fernandes possam ver as suas fundações tremer, o Mundo da Arte Portuguesa abraçou agora a realidade de que o que levou ao título honorífico de Grão Vasco – o mítico Grande Vasco – é sem dúvida o seu pincel mágico, entregando uma técnica encantadora que canalizou energias tanto de elementos visuais pagãos/cristãos do Norte/Sul da Europa, para o quadro e painel.

1. Aragão, Maximiano. Grão Vasco ou Vasco Fernandez, Pintor Viziense, Príncipe dos Pintores Portugueses, (Viseu, 1900), 28.
2. Biblioteca Municipal de Braga, excerto publicado por José de Bragança, O Problema Nacional dos Painéis, Diário Popular, 28 de Dezembro de 1961.
3. Markl, Dagoberto. Historia da Arte em Portugal, Vol. VI, (Lisboa, 1986), 116-118.

Context

The Museu do Falso is proud to exhibit a recently discovered artifact of great art-historical significance: the pristinely preserved instrument attributed to the early renaissance master painter Vasco Fernandes, mythologized in more recent times as Grão Vasco (the Great Vasco).

To the surprise and excitement of art historians and curators alike, both in its very existence and in its exceptionally preserved condition that has dumbfounded the more practical conservationists, it is with absolute certainty that centuries of doubt, speculation, rumor and debate surrounding the lineage, training, and proficiency of the painter Vasco Fernandes—an oddity among his peers—has now been answered: magic.

At the turn of the 16th century, it was a time of mystics, a time of a burgeoning renaissance of culture and religion taking western Europe out of the “dark ages” of the previous centuries. What wizardry as a painter was wielded in hand, what alchemy of observation and illusion was delivered through this anachronism, this painter’s brush?

Rumors and myth-making of this wizard-as-painter that have been recorded by historians—fantastical and absurd yet true when we choose to believe—bolster the aforementioned claim: the uncanny raw skill in Vasco Fernandes’ untrained youth, such that when as a boy he painted a donkey on the door to his father’s mill, and later, when the father viewed it, he was enthralled and would not enter: the illusionary realism of the image overpowered his senses (1). Or, the story by an alleged great-granddaughter that Vasco Fernandes would source the oil from the tomb of Bispo Santo to mix his paints, in which to create another convincing “window” onto a world of symbolic meaning within a religious context (2). Lastly, the magnetism evident in each painting produced by the cosmopolitan wave of Grão Vasco’s brush—a master painter that seems to have had no regional teacher, master or guild, and with such skills that were rare and fully developed in his first known work of art produced in Viseu (3).

With some reluctance, and though some careers built upon previous interpretations of the legend of Vasco Fernandes may see their foundations tremble, the Portuguese Art World has now embraced the reality that what led to the honorific title of Grão Vasco—the mythical Great Vasco—is without a doubt his magic brush, delivering an entrancing technique that channeled energies of both Pagan/Christian Northern/Southern European visual elements, onto board and panel.

1. Aragão, Maximiano. Grão Vasco ou Vasco Fernandez, Pintor Viziense, Príncipe dos Pintores Portugueses, (Viseu, 1900), 28.
2. Biblioteca Municipal de Braga, excerto publicado por José de Bragança, O Problema Nacional dos Painéis, Diário Popular, 28 de Dezembro de 1961.
3. Markl, Dagoberto. Historia da Arte em Portugal, Vol. VI, (Lisboa, 1986), 116-118.

Esta incorporação, no acervo do Museu do Falso, teve como Parceiro Institucional

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