A Corneta de Rei Ramiro II

AUTOR: Desconhecido
TIPOLOGIA: Escultura
DATA: 1933
N.º DE CATÁLOGO: #024
PROPRIEDADE: Tiago Pimentel

Contextualização

“No passado dia 22 de Maio, uma descoberta acidental transformou um jovem agricultor residente em Moçâmedes (distrito de Viseu) num verdadeiro herói local e reacendeu o debate no seio da comunidade científica, onde há muito se vem questionando se as lendas do Rei Ramiro terão algum fundamento histórico. Quando tentava remover umas pedras do seu terreno, situado perto da Capela da Senhora da Agonia, deparou com um conjunto de objetos semienterrados que, segundo afirma, apenas «pareciam ser mais lixo e entulho». Uma peça, contudo, despertou a sua atenção e levou-o a contactar Rufino Pereira, um historiador local que prontamente a identificou como sendo uma estela funerária do período medieval.

Uma posterior prospeção pelo terreno permitiu identificar ainda os vestígios de um grande túmulo de pedra e uma corneta de terracota, que os habitantes da região associaram de imediato ao instrumento de som utilizado pelo Rei Ramiro II na lenda de Miragaia. «A memória popular sempre associou a figura deste Rei ao lugar de Moçâmedes» – avança Rufino Pereira. «Não devemos tirar conclusões precipitadas, mas a verdade é que as descobertas dos últimos dias parecem confirmar que ele, não somente viveu, como foi sepultado aqui.»

Com a chegada de uma equipa de arqueológos da Universidade de Trujillo, que irá coordenar uma campanha de escavações arqueológicas mais exaustiva, as peças foram enviadas para um laboratório que procedeu à sua datação por carbono 14. Ficou confirmado que pertenciam a finais do séc. IX / meados do séc. X. O mais surpreendente, contudo, foi que durante os trabalhos de limpeza e restauro das mesmas se descobriu um pequeno pedaço de papiro, manuscrito, escondido numa minúscula concavidade da corneta. Apesar do seu avançado estado de degradação, já foi possível efectuar uma leitura parcial do documento, que se apresenta como uma listagem de bens.”

In Jornal da Beira Dão, 4 de Junho de 2012, pág. 38

DESIGNAÇÃO: Arrolamento de bens (fotografia)
MATERIAL: Papiro
DATAÇÃO: Período alto-medieval (final do séc. IX – início do séc. X)
DIMENSÕES: Comprimento: 11,7cm; Altura: 7,4cm
LOCAL DA DESCOBERTA: Moçâmedes, Viseu. 40°43’52.03″N / 8° 0’52.43″W

“No passado dia 22 de Maio, uma descoberta acidental transformou um jovem agricultor residente em Moçâmedes (distrito de Viseu) num verdadeiro herói local e reacendeu o debate no seio da comunidade científica, onde há muito se vem questionando se as lendas do Rei Ramiro terão algum fundamento histórico. Quando tentava remover umas pedras do seu terreno, situado perto da Capela da Senhora da Agonia, deparou com um conjunto de objetos semienterrados que, segundo afirma, apenas «pareciam ser mais lixo e entulho». Uma peça, contudo, despertou a sua atenção e levou-o a contactar Rufino Pereira, um historiador local que prontamente a identificou como sendo uma estela funerária do período medieval.

Uma posterior prospeção pelo terreno permitiu identificar ainda os vestígios de um grande túmulo de pedra e uma corneta de terracota, que os habitantes da região associaram de imediato ao instrumento de som utilizado pelo Rei Ramiro II na lenda de Miragaia. «A memória popular sempre associou a figura deste Rei ao lugar de Moçâmedes» – avança Rufino Pereira. «Não devemos tirar conclusões precipitadas, mas a verdade é que as descobertas dos últimos dias parecem confirmar que ele, não somente viveu, como foi sepultado aqui.»

Com a chegada de uma equipa de arqueológos da Universidade de Trujillo, que irá coordenar uma campanha de escavações arqueológicas mais exaustiva, as peças foram enviadas para um laboratório que procedeu à sua datação por carbono 14. Ficou confirmado que pertenciam a finais do séc. IX / meados do séc. X. O mais surpreendente, contudo, foi que durante os trabalhos de limpeza e restauro das mesmas se descobriu um pequeno pedaço de papiro, manuscrito, escondido numa minúscula concavidade da corneta. Apesar do seu avançado estado de degradação, já foi possível efectuar uma leitura parcial do documento, que se apresenta como uma listagem de bens.”

In Jornal da Beira Dão, 4 de Junho de 2012, pág. 38

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